Hub de Hidrogênio verde no Ceará atrai a empresa de oxigênio White Martins

A White Martins assinou um memorando de entendimento com o Complexo de Pecém, no Ceará, para oficializar interesse em participar do Hub de Hidrogênio Verde Pecém-Ceará, lançado em fevereiro pelo governo cearense. A empresa é a segunda a aderir ao projeto, que já conta com a australiana Enegix

A parceria pretende estabelecer e desenvolver as potencialidades da produção local, voltada prioritariamente à exportação para a Europa. O Ceará é um dos maiores produtores de energia eólica no Brasil e tem também potencial para energia solar, condição essencial para a produção de hidrogênio verde – para ser assim classificado, o produto precisa ter origem renovável e ser obtido sem a emissão de carbono. 

Com a assinatura do memorando, o Complexo do Pecém prestará o suporte para mapear novas oportunidades de negócios para a produção e o fornecimento de hidrogênio verde pela White Martins, informou o governo do Ceará. 

“Identificamos nessa parceria a possibilidade de inovar na produção e no fornecimento de energia limpa com investimentos na cadeia de valor do hidrogênio verde, aproveitando a sinergia da planta de gases do ar da White Martins já existente no Complexo Industrial e Portuário do Pecém”, afirmou, em nota, o diretor de Hidrogênio e Gás Natural Liquefeito da White Martins, Guilherme Ricci

Sociedade 

O Complexo do Pecém tem como seus acionistas o governo do Ceará (70%) e o Porto de Roterdã (30%), na Holanda. A parceria é apontada como uma vantagem competitiva ao projeto cearense, já que o Porto de Roterdã também está desenvolvendo um hub de hidrogênio em grande escala em seu complexo portuário para produção, importação, aplicação e transporte de hidrogênio para a Europa. “Assim, o projeto a ser desenvolvido entre a White Martins, seus parceiros e o Complexo do Pecém poderá ter o Porto de Roterdã como o porto de entrada na Europa”, informou o governo do Ceará. 

Fortaleza tem o segundo maior hub de cabos do mundo

O hub tecnológico de Fortaleza ocupa posição de destaque. É o segundo maior do mundo. Atualmente, com 12 cabos submarinos de fibra óptica conectados, fica atrás somente de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, que conta com 13. O levantamento foi realizado pelo database especialista em mercado de telecomunicações, Telegeography.

Com forte avanço nos últimos anos de grandes empresas de telecomunicações, destaque para a Angola Cables, Fortaleza se tornou um polo de concentração de cabos submarinos que ligam a Cidade com África, Europa e América do Norte.

Operacionais, os cabos Monet, que conecta Boca Raton, Flórida, a Fortaleza e Santos, e o SACS, que liga Angola ao Ceará, os cabos fazem parte do investimento de mais de 300 milhões de dólares da Angola Cables no Estado. Operação da multinacional também envolve Data Center a ser inaugurado, na Praia do Futuro.

“Mais do que consolidar a marca Angola Cables, na verdade, Fortaleza acaba criando um centro de atratividade para players nacionais e internacionais, pois agora se tem conectividade global de baixa latência e com alta capacidade. Por isso, conseguimos atrair, por exemplo, grandes grupos e empresas internacionais, inclusive da Europa”, diz o líder comercial da empresa no Brasil, André Martins.

Ele destaca que a companhia possui o cabo com a menor latência para os Estados Unidos, além de uma rota pioneira para África. Tudo passando por Fortaleza e, por meio dos outros cabos, liga a Cidade com outros hubs na Europa.

Além de presença no mercado tecnológico com a conexão de cabos submarinos, a instalação do Data Center é muito esperada pelo mercado e já atrai atenção de grandes empresas internacionais, a exemplo da Google.

O líder comercial da Angola Cables conta que mais de 70% da capacidade do Data Center já foi esgotada antes mesmo da inauguração. Ele revela que um “grande grupo de mídia nacional” fechou contrato com a empresa para colocar seu ponto de presença em Fortaleza.

“Esse Data Center nasce muito bem conectado com o mundo, pois já tem conectividade com os nossos cabos submarinos e, principalmente, porque ele é um TIER III, com padrão internacional reconhecido de qualidade, segurança e confiabilidade”, complementa.

Sobre a presença na Capital, Martins avalia como positiva para o desenvolvimento da Cidade, pois, segundo o executivo, antes, Fortaleza era um ponto de passagem, mas agora se transformou em “ponto de presença”.

O desenvolvimento do hub também é bem visto pelo mercado. Emanuel Rodrigues, professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do Grupo de Redes de Computadores, Engenharia de Software e Sistemas (GREat), analisa que o ritmo de crescimento do hub em Fortaleza é superior a outros pontos do Brasil.

“Quando se tem um data center instalado e cabos conectados ao Ceará, nos tornamos um ponto de atratividade. Provedores de serviços, de conteúdo e internet vão ter o interesse de se instalar onde existe entroncamento de informações”, diz o especialista.

Acordo entre Governo e Amazon vai criar Centro Digital no Ceará com formação tecnológica para jovens

O estado do Ceará assinou, nesta terça-feira (17), acordo com a Amazon Web Services (AWS) para criação do primeiro Centro de Competências para Transformação Digital do país.

O Centro deve funcionar como canal de oportunidade e capacitação para jovens nas áreas de educação, pesquisa, desenvolvimento e inovação, segundo o governador Camilo Santana. A criação do Centro também deve impulsionar os planos do governo de digitalizar os serviços públicos estaduais.

“Queremos transformar o Ceará, até o final de 2022, num governo digital. Que os serviços da população sejam todos digitais, que o estado possa acelerar os seus processos de conectividade, de tecnologia, simplificando e melhorando a qualidade dos serviços”, ressaltou Santana.

O acordo foi assinado pelo governador, o gerente geral para setor público da Amazon, Paulo Cunha, e o presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Adalberto Pessoa, responsável por toda rede de fibra óptica do estado.

Com a transformação dos serviços públicos em digitais, o governo afirma ganhar com redução de estrutura e segurança das informações, como destacou Pessoa.

“Quando migramos pra nuvem, reduzimos a estrutura, tornamos mais leve a operação, mais segura e, além disso, faz com que o estado seja capaz de inovar. Não é como adquirir uma máquina e essa máquina ficar durante cinco, seis anos. Se daqui a seis meses houver lançamento de nova tecnologia, podemos, rapidamente, migrar, fazendo com que o estado esteja sempre pronto para inovar”, defendeu o presidente da Etice.

A Amazon Web Services é uma plataforma de serviços de computação em nuvem, oferecida pela empresa Amazon, empresa multinacional de tecnologia norte-americana.

Mil pessoas inicialmente atendidas

Executivo da Amazon na América do Sul, Paulo Cunha disse que o objetivo no que ele chamou de “primeira jornada” do Centro no Ceará é atingir mil cidadãos, sendo 700 deles estudantes, professores, funcionários públicos e cidadãos no geral.

“O Ceará, por ter foco numa política de governo digital e expandir isso também por uma sociedade onde conseguimos ter empresas, pesquisas, desenvolvimento e ensino, nos propiciou o ambiente perfeito pra que pudéssemos lançar em conjunto”, observou.

O governo ainda não repassou detalhes de estrutura do Centro de Competências para Transformação Digital, nem de como vai funcionar a parceria com a área da educação.

Acompanhando a assinatura do acordo, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Maia Junior, citou a possibilidade de novos projetos com a AWS.

“Estamos colocando o pé da Amazon, AWS, no Ceará, temos outros projetos pra anunciar em breve. O Ceará tá trazendo os grandes players do mundo da transformação digital para colaborar com esse projeto, que gera expectativas e esperança, sobretudo, pra juventude”, disse.

O Secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, Inácio Arruda, destacou a importância de oportunidade para formação tecnológico dos jovens. “Muitos jovens precisam de formação tecnológica. A Amazon vai encontrar no Ceará uma base de gente de qualidade para colaborar dentro das universidades, dos laboratórios. Nós vamos ganhar muito com essa qualidade de jovens formados no Estado do Ceará”, pontuou.

Para o secretário de Planejamento e Gestão, Ronaldo Borges, também presente na consolidação do acordo, “é o primeiro passo para um projeto ousado de transformação digital”. Ele também falou em “novidades” que devem ser anunciadas no próximo mês, mas não deu detalhes.

Fortaleza ultrapassa Salvador e se torna maior economia do Nordeste

Fortaleza é a cidade com maior Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste, revelou levantamento divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados relativos a 2018. É a primeira vez que a  cidade supera a capital baiana, Salvador, pelo menos desde 2002, início da série histórica da pesquisa.

Geração de riquezas

No ano de 2018, a Capital cearense gerou R$ 67 bilhões em riquezas, enquanto Salvador registrou R$ 63,5 bilhões. Em terceiro lugar, mais distante, Recife gerou R$ 52,4 bihões no período.

No ranking nacional, Fortaleza está na 9ª colocação, atrás de São Paulo (R$ 714,6 bi), Rio de Janeiro (R$ 364 bi), Brasília (R$ 254 bi), Belo Horizonte (R$ 91,9 bi), Curitiba (R$ 87,1 bi), Manaus (R$ 78,1 bi), Porto Alegre (R$ 77,1 bi) e Osasco (R$ 76,6 bi). A Capital tem 1% de participação do PIB no Brasil.

Com fábricas no Ceará, Aeris quer levantar IPO de R$ 1,5 bilhão

Com duas unidades no Ceará, a Aeris, maior fabricante de pás eólicas do Brasil, quer levantar IPO de R$ 1,5 bilhão. O pedido foi solicitado a quatro bancos. A informação é do site Brazil Journal.

Os agentes seriam a XP, Morgan Stanley, Santander e o BTG Pactual – coordenador líder do negócio. A expectativa é que a transação ocorra até o fim de outubro. Segundo o periódico, a oferta primária e majoritária será na casa de R$ 900 milhões.

Atualmente a Aeris tem duas unidades no Ceará, ambas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Uma delas foi comprada da Wobben Windpower, em meados de junho.

A escolha pelo Ceará, especificamente o Pecém, para as unidades foi mais que fiscal. “A região concentra mais de 50% do total potencial eólico brasileiro. Este fato é importante quando se considera o tamanho continental do Brasil e os desafios logísticos para o transporte das pás eólicas”, destaca.

A reportagem relata que, fundada em 2010, a Aeris produz pás eólicas as “vende para os principais fabricantes de geradores eólicos do mundo: a General Eletric, a WEG, a alemã Nordex Acciona e a dinamarquesa Vestas. (No ano passado, 70% da produção foi exportada.)”

Relata ainda que a Aeris deve faturar R$ 2,2 bilhões este ano, com um EBITDA de R$ 280 milhões. “Os recursos do IPO vão permitir que a empresa dobre de tamanho até 2023, chegando a uma receita de R$ 5 bi. A Aeris já tem um backlog de mais de 10 mil pás eólicas para serem entregues nos próximos três anos — equivalente a tudo o que a empresa produziu desde que foi fundada — mas precisa de capital para arcar com o capex”.

Segundo o Brazil Jornal, a Aeris nasceu quando quatro engenheiros elétricos deixaram a Embraer com a ideia de criar uma fabricante nacional de pás eólicas líder de mercado. Para tirar a ideia do papel, procuraram [Alexandre] Negrão, que investiu R$ 100 milhões ao longo dos três primeiros anos. Hoje, a família Negrão tem 85% do capital, e o restante está dividido entre os oito principais executivos (entre eles, os quatro fundadores).

Com investimentos de R$ 2,6 bi, 5 empresas do CE receberão incentivo

A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aprovou cinco pleitos de incentivos fiscais para empresas com atuação no Ceará. Ao todo, os empreendimentos somam investimentos de R$ 2,617 bilhões em implantação e modernização das plantas.

No Ceará, os incentivos foram autorizados para as empresas Aeris Indústria e Comércio de Equipamentos para Geração de Energia, de Caucaia; Argo Transmissão de Energia, que atua em Tianguá; Can Pack Brasil Indústria de Embalagens, de Maracanaú; além de Aquidabã Hotelaria e Hoteleira HBM, ambas localizadas em Fortaleza.

A decisão foi tomada nas duas últimas reuniões da Diretoria Colegiada do órgão federal, realizadas no dia 28 de agosto e 10 de setembro, beneficia empresas com atuação em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú e Tianguá.

Amaral destaca ainda que, com a retomada da economia, a tendência é que as empresas solicitem mais incentivos fiscais para modernizar equipamentos e ampliar a produção.

“Merece destaque os investimentos feitos pela Aeris, cujo projeto prevê a fabricação de pás para aerogeradores de grande porte”, ressalta o coordenador geral. Com o investimento, a Aeris ampliou sua capacidade de produção de 1.968 para 3.515 pás por ano, gerando 3,5 mil empregos diretos. A companhia pleiteou uma redução de 75% do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) na modalidade de “ampliação”.

Já o investimento da Argo Transmissão de Energia prevê a ampliação da rede básica de energia do Ceará, Maranhão e Piauí, passando por 42 municípios.

A linha de transmissão tem cerca de 1.100 Km de extensão, ligando Bacabeira, no Maranhão, ao Pecém, no Ceará. A empresa também pleiteou redução de 75% do IRPJ na modalidade de “implantação de linha de transmissão”.

Outros incentivos

Além dos cinco projetos localizados no Ceará, a Sudene aprovou incentivos para os estado da Bahia (6), Espírito Santo (3), Maranhão (2), Pernambuco (1) e Piauí (1). As 18 empresas se enquadram nos setores de alimentos (3), turismo (3), infraestrutura-energia (2), químicos (2), plásticos (2), metalurgia (2) e abastecimento de água (1). As empresas serão contempladas com redução de 75% do IRPJ e reinvestimento de 30% do tributo.

Como o incentivo trata de uma redução do IRPJ, a empresa que não tiver lucro não será beneficiada.

O valor da isenção deverá ser utilizado na atividade-fim da empresa. O incentivo aprovado ainda deverá ser homologado pela Receita Federal e terá fruição de dez anos para as empresas que tiveram aprovados pleitos de redução de 75% do IRPJ.

De acordo com a Sudene, os investimentos foram responsáveis pela manutenção de 27.072 empregos na região, dos quais 396 são novas vagas. Do total, 11.139 são empregos diretos. As empresas contam com projetos de instalação, modernização e reinvestimento, além de retificação de laudos já emitidos.